Teve início nesta terça-feira (24) e segue até quinta-feira (26), na Funcesi, o 10º Congresso Mineiro de Saneamento. Promovido pela Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) – Regional Minas Gerais, o evento transforma o município no epicentro das discussões sobre políticas públicas, inovação e sustentabilidade no setor.
A programação robusta, que inclui palestras institucionais, apresentações técnicas e mesas-redondas, foca nos impactos da regionalização dos serviços e no cumprimento das metas de universalização. Contudo, além do caráter técnico, o encontro também se tornou palco de debates sobre a viabilidade política de novos investimentos na região.
Metas e Apelos Políticos
Durante a solenidade de abertura, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), demonstrou otimismo em relação ao futuro do município. Segundo o gestor, a meta é que Itabira atinja, até 2033, o marco de 100% de esgoto tratado e 100% de água potável para todas as famílias.
Lage destacou a importância dos recursos provenientes do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), afirmando que projetos já foram aprovados e os fundos estão disponíveis. Entretanto, o prefeito aproveitou a ocasião para fazer um apelo direto à oposição, representada no evento pelo vereador Didi do Caldo de Cana (PL).
O ponto de discórdia é a construção de uma estação de tratamento no distrito rural de Senhora do Carmo. "Peço sensibilidade em relação a isso. Peço que sensibilize o seu partido para que aprove essa obra, porque temos um compromisso moral com esse movimento de paz para a nossa população", declarou o prefeito.
A Crítica da Oposição
A resistência mencionada pelo prefeito ecoa as declarações de Pedro Fortunato, presidente do Partido Liberal (PL) em Itabira. Na última segunda-feira (23), durante reunião de comissões na Câmara Municipal, Fortunato defendeu uma análise mais rigorosa sobre o uso de financiamentos públicos.
O dirigente questionou o montante de juros pagos em operações de crédito anteriores e sugeriu que os recursos poderiam ser melhor aproveitados em áreas como habitação popular. Além disso, a oposição argumenta que a prefeitura deve priorizar obras inacabadas antes de iniciar novos projetos. Fortunato citou o exemplo da estação de tratamento de esgoto do bairro Pedreira, defendendo que as necessidades das comunidades urbana e rural devem ser tratadas com a mesma urgência.
O Cenário Nacional e os Desafios do Setor
Para além das fronteiras municipais, o congresso trouxe à tona os gargalos estruturais do Brasil. Esmeraldo Santos, presidente nacional da Assemae, apontou o esgotamento sanitário como o "calcanhar de Aquiles" do país, lembrando que quase 90 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso ao tratamento de esgoto.
Santos defendeu a ampliação das tarifas sociais para garantir dignidade à população de baixa renda e destacou o saneamento rural como a fronteira final para a universalização.
Complementando a visão técnica, Marcelo Lelis, coordenador de saneamento rural do Ministério das Cidades, alertou para a escassez de recursos. Segundo ele, os investimentos atuais — sejam eles onerosos ou não — são insuficientes para cobrir as quatro frentes do saneamento: abastecimento de água, esgotamento, manejo de resíduos sólidos e drenagem pluvial.
Fortalecimento Institucional
Para o presidente do SAAE de Itabira, Valdeci Luiz, sediar o congresso é uma oportunidade estratégica. Ele ressaltou que a presença de autoridades nacionais em solo itabirano fortalece o diálogo e permite um aprofundamento necessário sobre o tema, visando soluções que ultrapassem o período eleitoral e garantam a saúde pública a longo prazo.
O 10º Congresso Mineiro de Saneamento segue com atividades técnicas voltadas para gestores e profissionais do setor até o dia 26.

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